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Mãe de 50 anos é incentivada a voltar aos estudos, entra na turma da filha e ambas se formam juntas no RS: 'Nunca é tarde'

Mãe é incentivada a voltar aos estudos, entra na turma da filha e ambas se formam juntas Foi em uma universidade de Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de...

Mãe de 50 anos é incentivada a voltar aos estudos, entra na turma da filha e ambas se formam juntas no RS: 'Nunca é tarde'
Mãe de 50 anos é incentivada a voltar aos estudos, entra na turma da filha e ambas se formam juntas no RS: 'Nunca é tarde' (Foto: Reprodução)

Mãe é incentivada a voltar aos estudos, entra na turma da filha e ambas se formam juntas Foi em uma universidade de Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, que uma mãe ganhou uma nova colega de classe: a própria filha. Aos 50 anos, Sandra Gewehr Scholles decidiu retomar um projeto interrompido décadas antes e viveu toda a graduação em Psicologia ao lado de Daniela Gewehr Scholles, 25 anos. A caminhada das parentes e estudantes de Estância Velha terminou da mesma forma que começou: com elas juntas. As duas receberam o diploma na mesma cerimônia, no dia 25 de julho. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Ao longo de sete anos, as duas compartilharam a rotina da graduação em Psicologia, atravessaram a pandemia, trocaram incentivos nos momentos mais difíceis e chegaram juntas a um dos dias mais esperados da vida acadêmica: a formatura. Um sonho retomado Daniela Gewehr Scholles e Sandra Gewehr Scholles Imagem cedida O incentivo para Sandra voltar à universidade surgiu dentro de casa. Quando Daniela foi aprovada no vestibular de Psicologia em 2019, reacendeu um sonho que a mãe havia deixado para trás há quase 30 anos. Sandra chegou a iniciar uma graduação em Pedagogia quando tinha cerca de 18 anos, mas interrompeu os estudos após perceber que o curso não correspondia às expectativas que tinha para a carreira. Com o passar dos anos, vieram o casamento, os filhos e as responsabilidades da vida adulta. Foi ao ver a filha ingressar no Ensino Superior que ela passou a considerar a possibilidade de voltar para a sala de aula. A ideia ganhou força depois de uma conversa entre as duas. "Fiz o vestibular e sabia que era algo que a mãe queria há mais tempo. Comentei sobre isso e, apesar de no começo ela achar que não iria funcionar, acabou aceitando", lembra Daniela. Sandra conseguiu retornar por meio do reingresso, aproveitando disciplinas cursadas anteriormente. O apoio da família, inclusive financeiro, foi fundamental para que a decisão saísse do papel. Daniela diz admirar a coragem da mãe de iniciar um novo desafio aos 50 anos: "Nunca é tarde para realizar sonhos", comenta. "O que mais admiro é a coragem de viver tudo isso agora, apesar de todos os desafios". Administrar o tempo A rotina não foi simples. Além das aulas, Sandra precisou conciliar trabalho, estágio, família e os compromissos da casa. Segundo ela, administrar o tempo foi o maior desafio ao longo da graduação. Houve momentos em que a sobrecarga quase a fez desistir. "Mais ou menos na metade da faculdade, eu fazia cinco cadeiras e foi bem difícil conseguir conciliar trabalhos e provas, era muita coisa. Tinha épocas que eu pensava assim: 'Meu Deus, eu não vou dar conta'", lembra Sandra. "Às vezes, começava a chorar e pensava: 'o que eu fui fazer em voltar a estudar?'". Nessas horas, Sandra encontrou suporte justamente nas pessoas mais próximas. O marido, os filhos e, principalmente, Daniela ajudaram a mantê-la motivada até o fim do curso. Com o passar dos semestres, a meta passou a ser avançar etapa por etapa, em uma espécie de contagem regressiva até a formatura. Diferenças que se complementaram Mãe e filha construíam uma relação diferente dentro da universidade. A convivência diária aproximou ainda mais as duas. Em alguns momentos, os papéis de mãe e colega de classe se misturavam. Em outros, precisavam agir apenas como parceiras de curso, especialmente durante apresentações de trabalhos e atividades acadêmicas. "Nos aproximamos mais e, por vezes, os papéis de mãe e colega se confundiam, mas fomos aprendendo a lidar com isso", conta Daniela. A presença constante uma da outra também trouxe vantagens. Segundo a jovem, havia sempre companhia para um café, um chimarrão ou para enfrentar as dificuldades típicas da graduação. No entanto, as duas estudavam de formas diferentes. Enquanto Sandra preferia imprimir artigos, fazer anotações e destacar trechos importantes dos conteúdos, Daniela recorria, principalmente, ao celular, à leitura digital e aos próprios resumos. A diferença também aparecia na forma de lidar com os prazos: "Eu me preocupava muito com a questão dos prazos dos trabalhos para entregar, e essa geração da idade dela, eles deixam tudo para a última hora, para o último minuto", comenta Sandra. Diploma lado a lado Daniela Gewehr Scholles e Sandra Gewehr Scholles Imagem cedida A caminhada iniciada em 2019 também atravessou um período inesperado: a pandemia da covid-19. Durante parte da graduação, as aulas passaram a ocorrer de forma remota em 2020, exigindo adaptação de estudantes e professores. Mesmo assim, mãe e filha seguiram firmes até o último semestre. A recompensa veio em julho, durante a cerimônia de formatura. As duas foram chamadas em sequência para receber o diploma de Psicologia. Sandra afirma que ainda hoje revisita mentalmente aquele momento. "Foi a realização de um sonho", resume. Para Daniela, a lembrança mais marcante aconteceu justamente durante a solenidade. "Acredito que foi quando nos abraçamos e realmente caiu a ficha de que tínhamos conseguido", comenta a filha. VÍDEOS: Tudo sobre o RS